Por Desiree Salgado Decima Terceira coluna sobre o mundo e seu contexto.
Categoria: Mulheridades e Feminismo
Coluna Feminismo. Editor responsável:
Feminicídio
Por Desiree Salgado Decima Segunda coluna sobre o mundo e seu contexto.
Copa do Mundo Feminina
Por Desiree Salgado Nona coluna sobre o mundo e seu contexto.
Biografias
Por Desiree Salgado Sexta coluna sobre o mundo e seu contexto.
Mais do mesmo mês de março
O mês de Março: o mês das mulheres, em que se é necessário ano após ano se lutar pelas mesmas coisas, em que, ao final dos 31 dias, os homens voltam a ocupar todos os espaços que são concedidos as mulheres, somente, neste mês. Março também foi marcado pelo aniversario de nossa cidade, Curitiba, e pelo lastimável marco do dia 31 de Março, o golpe de 64.
Mulher
eu que trouxe todos os pecados ao mundo
tenho que amar incondicionalmente o intolerável
eu que trouxe todos os pecados ao mundo
devo ser naturalmente maternal
eu que trouxe todos os pecados ao mundo
devo me resignar. devo acatar.
recatada.
eu que trouxe todos os pecados ao mundo
não posso pecar.
Todas as mulheres
o feminino me chama há tempos
desde antes de mim mesma eu já vivia em partículas femininas de plantas e animais
de pele e amor
de gioia e gratidão.
eu venho através de todos os tempos para chegar em mim
através de todos os ciclos.
Intensidades
Um futebolista brasileiro encontra-se preso em Barcelona sob acusação de estupro de uma jovem de 23 anos no banheiro de uma boate. Trata-se de um homem profundamente cristão. A ponto de tatuar Jesus no próprio corpo. Ele seria um exemplo de excesso de cristianismo? Ele é bolsonarista. Seria um exemplo de fascismo cristão no Brasil?
Hoje dobrei as tuas roupas pela última vez.
Vejo suas roupas em cima da cama, muito bem dobradas. Ao lado delas, as minhas: roupas limpas misturadas com roupas já usadas, todas elas largadas e amarrotadas. E através dessa metáfora meio cafona e muito triste percebo tudo o que eu vinha fazendo por você e, sobretudo, tudo o que tenho feito de mim.
Amores líquidos e algoritmos. Sobre quebrar o coração e os mecanismos (in)sensíveis de venda das redes.
No final do ano passado perdi, inesperadamente, dois clientes que pagavam mais da metade do meu salário. No mesmo dia, recebi uma compra feita pela internet: um maiô e uma blusa num total de R$489 que resultaria em, no máximo, vinte minutos de satisfação dos meus desejos. Olhei para aquilo e vi que era um absurdo. Além de não fazer parte da minha realidade, eu precisava de fato daquelas coisas? Foi quando estabeleci o seguinte propósito para o ano que chegava: não compraria nada de absolutamente supérfluo. Com um sorriso de satisfação de canto de boca, pensei: “o que esse algoritmo sacaninha vai me oferecer agora? Hein, hein, hein?”. Claro que eu não tenho interesses estritamente supérfluos, mas eles são os que mais rendem para a máquina, certo? Bom, desde então ele tentou várias coisas, mas sem muito foco. Me oferecia de seguro para cachorro até curso de psicanálise. Sim, eles estão nos escutando e metrificando o tempo todo, mas acho que a minha vida andava mesmo mais eclética e aleatória.